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A crise de atitude

20/04/2012 - por Daniel Costa - Consultor de Endomarketing - Santo de Casa
Nove em cada dez briefings de campanhas de comunicação interna tem por objetivo, principal ou secundário, promover uma atitude diferenciada dos colaboradores da empresa.

Nove em cada dez briefings de campanhas de comunicação interna tem por objetivo, principal ou secundário, promover uma atitude diferenciada dos colaboradores da empresa. São demandas reincidentes por mais atitude participativa, atitude de segurança, atitude de atendimento, atitude de liderança, atitude sustentável, atitude, atitude e mais atitude. Pudera, não só as organizações convivem com o problema da falta de atitude: elas são grupamentos de um país cuja sociedade carece do exercício pleno da cidadania, de educação e de caráter.

O problema das empresas é mais fácil de resolver. Em primeiro lugar é preciso que aceitem que o problema é seu, e não das pessoas, pois assim como a sociedade não tem formado e instrumentalizado seus cidadãos para uma performance social positiva, a maioria das empresas, sem perceber, não fornece as condições necessárias para o colaborador exercer a plenitude de suas capacidades. Isso porque acreditam que o engajamento decorre de estímulos materiais, e que a informação é suficiente para direcionarem as pessoas aos resultados: infelizmente estão enganadas.

Parto da convicção, portanto, que o ser humano busca no trabalho expressar seu melhor, realizando algo bom para si e à empresa. Ora, atitude deriva de “ato”, significa uma ação baseada em crenças e valores que o indivíduo mobiliza sempre que se depara com certas situações ou problemas em que sua forma de agir será determinante ao resultado. Como toda ação, o ato é uma expressão do desejo – diz o segundo Princípio do Endomarketing. O desejo aqui é sinônimo de motivação, e ele é construído por fatores subjetivos: assim como o consumidor motiva-se por atributos intangíveis e estímulos sociais para pagar mais caro por determinada marca, o trabalhador é motivado pelas proposições não materiais da empresa tais como desafios, aprendizado, liderança preocupada com seu bem-estar, reputação da empresa e reconhecimento, apenas para citar os mais freqüentes. Comunicação é meio para influenciar a decisão e o ato, determinando o sucesso da estratégia da empresa na prática.

A comunicação interna via rede de canais ou lideranças deve então agregar sentido ao ato do colaborador para que ele, expressando seu desejo, seu orgulho, decida de forma correta. Pouco adianta informar a um operário, por exemplo, que houve incremento na meta de produção com um novo processo de qualidade, se antes este profissional não se sentir incluído em uma estratégia de expansão de mercado, apresentado pelo líder ao seu papel neste contexto como parte integrante da equipe, e, regularmente receber informações sobre como está a consecução deste planejamento. Assim como na célebre parábola dos pedreiros, as pessoas querem trabalhar construindo uma catedral, e não apenas erguendo paredes. Pergunte-se: o que minha empresa oferece afinal às pessoas, arquitetura ou tijolos?

Já o problema brasileiro é bem mais difícil de resolver, e requer uma maturidade política que ainda estamos muito distantes. Entretanto, resta um alento aos líderes empresariais, pois o processo de solução da crise de atitude na sociedade não é muito diferente do que é necessário na empresa, basta refletir. Sendo assim, a mudança na organização torna-se também um meio efetivo para mudar o país: profissionais mais conscientes e realizados praticam sem perceber a cidadania, e com isso podem cada vez mais agir positivamente fora da empresa motivados pelo desejo de prosperar de forma sustentável.
 



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